Julho_2003 - page 97

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R E V I S T A D A E S P M –
J U L H O
/
A G O S T O
D E
2 0 0 3
empregonagrandeempresaestá ra-
reando, ela tem vinte vagas e qua-
renta mil pessoas inscritas. O can-
didatoolhaisso,epensa:“Loucuraisso
aqui.Seeuinsistirnessatecla,nãovou
ter condição de empregabilidade”.
Creioqueo jovemdehoje estámais
aberto a uma carreira de autogeren-
ciamentodoquehá10anos.
ADRIANA
–ComoaElaine falou, a
maioria dos empregos não está na
grande empresa. Mas acho que a
classemédiacriouaexpectativa de
queos filhos façamumaboauniver-
sidade–hojeemdia, umbomMBA
– eque váparauma grande empre-
sa. Isso acabou criando um fato so-
cial emqueaspessoasqueremestar
inseridas. Há programas fantásticos
de
trainees
, onde o ponto de elimi-
naçãoéo inglês fluente.Masháque
perguntar:“Eaqualidadedevidados
executivos,hoje?”Comquadroscada
vez mais enxutos e uma pressão
muitogrande,esseéopreçodeuma
vidadeexecutivo.Damesma forma,
oempreendedoréempreendedorna
medida emque queira correr riscos
–enãoachoqueamaioriadapopu-
laçãoqueira correr riscos.Oque se
vê é a organização com uma estru-
tura que dê suporte para os funcio-
nários trabalharem. Esse tipo de or-
ganização produz um determinado
níveldequalidadedevida,quehoje
não é boa. Não conheço nenhum
executivo que tenha, de fato, uma
qualidadedevida fantástica.
Revista da ESPM
– Você fala de
SãoPauloouBrasil?
ADRIANA
– Acabo falando um
poucomais de SãoPaulo, porque é
onde tenhocontatos,masos execu-
tivos vivem sobpressão...
ELAINE
–Executivodealtoescalão,
vocênãoencontramuitos foradeSão
Paulo. Há empresas, indústrias,
que têm filiais fora de São Paulo
mas o pessoal de nível superior
concentra-se aqui.
Revista da ESPM
–Vi uma estatís-
tica que dizia que o Brasil é o país
que temomaior númerodeempre-
saem todoomundo, foraosEstados
Unidos.Obrasileironãoéumpovo
empreendedor?
ADRIANA
–Comcerteza.Tem jogo
de cintura, sabe lidar bem com a
adversidade.Quando se falaem ter-
mos dequalidadedeumexecutivo,
ele temdesercriativo, inventivo, tem
que ter um jogo de cintura incrível,
aprender a lidar com os problemas
isso faz comque ajamos rápido.
Revistada ESPM
–Tenho um ami-
goque trabalhanos EstadosUnidos
quemedisse: “Eunão tivedificulda-
des aqui. Souumexecutivocompe-
tenteparaomercadonorte-america-
no”. Sóqueeleacrescenta: “Aqui, o
meu segundo escalão é bemmais
competentedoqueo segundoesca-
lãoque tinha noBrasil”. Ele está fa-
lando de competências da secretá-
riaexecutiva, deumgerentemédio,
umaassistente,eafirmaque têmme-
lhor qualidade ládoqueaqui.
ADRIANA
– Lá eles sãomais bem
formados, têmuma formaçãomelhor
do que a nossa. Agora, há duas ca-
racterísticasque formamoprofissio-
naldealta
performance
.Umaéoque
ele sabe fazer e temaver coma for-
maçãodele; aoutraécomoeleexe-
cuta aquela formação e que tem a
ver com o jeito de ele ser. O que o
brasileiro temdemelhoréo“como”
ele faz. Issoéanaturezadobrasilei-
ro. Mas a formação dele fica preju-
dicada.Hojeestamoscorrendoatrás
doprejuízo.Anossaestruturaesco-
lar tem falhasqueprecisamos rever.
Ainda sãomuitos os que vão estu-
dar nos EstadosUnidos ou emuni-
versidades famosas da Europa. Lá,
eles realmente obtêmmelhor pre-
paro. O que a gente tem a nosso
favor é esse “como” que vem da
pessoaenenhumauniversidade for-
ma.Mas asuniversidadesde ládão
melhor formação.
Revista da ESPM
– Então vocês
acham queas escolas –asuniversi-
dades brasileiras – poderiam estar
dandoumamelhor formação.
ELAINE
– Não devemos responsa-
bilizarsóa faculdade.Aspessoaspre-
cisamdeboasescolasdesdepeque-
nas.Oqueelavai ser, comoadulto,
“E com tantos
sobressaltos e
problemas - isso
faz comque
ajamos rápido.”
comprontidão. Isso torna o execu-
tivomuitobom–e faz tambémcom
que as pessoas sejam empreende-
doras –, ter sido treinadopara lidar
comadificuldade.O tipode socie-
dade que temos hoje, formada na
dificuldade, inclusivedesegurança,
faz com que a gente tenha reações
rápidas, seja criativo, preventivo.
Não só “remediativo”. Há povos
comumaestruturadesociedade tão
estruturada,queacabamsendomais
remediativos, porque demoram
muito para ter reação, para mudar
alguma coisa. Como nós, aqui, te-
mos tantossobressaltoseproblemas,
Entrevista
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