Julho_2002 - page 26

Revista daESPM – Julho/Agosto de 2002
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berro, o exemplo acima nosmostra que
o couro é o mesmo desde o pecuarista
até a indústria. Como se pode observar
noquadro, oprodutonacional do“país”
acima seria de $ 12.000, ou, somente a
receitada indústria, umavezqueaEco-
nomia como um todo produziumesmo
foram bolsas, cintos e sapatos, e não
couro em si.
O couro
in natura
do pecuarista e o
couro trabalhado pelo curtume já estão
computados como custo dos produtos
finais que foram produzidos e destina-
dos aos clientes finais. A soma dos va-
lores adicionados em cada etapa forma-
rá o preço dos produtos finais.
O valor adicionado pode ser visto
como um prêmio, talvez mais-valia na
visão marxista, pago pelo mercado à
empresapeloesforçode transformação,
inovação, comercialização e tributação.
O que a empresa fará com a renda é um
outropontode importânciavitaldecom-
preensãodo fenômenoeconômicodeno-
minadovaloradicionado.Exemplo:uma
empresa apresenta os seguintes valores:
Vendas Brutas ...........................10.000
Impostos sobreVendas ...............2.000
C.M.V. ........................................5.000
Salários e Encargos.................... 1.500
Comissão.................................... 1.000
Ovalor adicionadopelaempresa foi
adiferençada suavendabruta em rela-
ção ao custo das mercadorias que ad-
quiriu de seus fornecedores. Logo: $
10.000 (-) $ 5.000.Assim, o valor adi-
cionadopela empresa foi de$5.000.O
que a empresa realizou com esse valor
adicionado?
1. Destinou $ 2.000 para o gover-
no na forma de impostos (sobra: $
3.000);
2. Destinou $ 1.500 para remune-
rar a mão-de-obra e encargos (sobra:
$ 1.500);
3. Destinou $ 1.000 para remune-
rar a força de vendas (sobra: $ 500).
Evidentemente, a sobra final, $500,
será destinada para remunerar o capita-
lista ou empreendedor e, neste caso, é
equivalente a10%dovalor adicionado.
Uma questão comum que normal-
mente surge está relacionada à compa-
ração entre a DVA e a DRE (Demons-
traçãodeResultadosdoExercício), ge-
ralmente exibido nas publicações ofi-
ciais das organizações.
ADRE sepreocupaemexibirosvá-
rios estágios do resultado, porém sem-
pre o enfoque dos proprietários. É por
issoqueexistemvários tiposde resulta-
dos (operacional, não operacional, an-
tes do IR, bruto e líquido).
Todavia, como crescimento intenso
das relações comerciais e financeiras
entre as empresas, outros interessados
nas informações contábeis ou financei-
ras desejamnão somente observar o re-
sultadoqueumaempresaconsegue.Eles
querem saber sobreacapacidadequeas
empresas têm em agregar valor aos
insumos que adquirem. Énesse aspecto
que aDVA supera aDRE, uma vez que
seu focoestácentradoemexibir ovalor
agregado, etapa por etapa.
Genericamente, pode-se definir va-
lor adicionado (VA) como:
VA=RB –CP, onde:
• VA–ValorAdicionado;
• RB –ReceitaBruta;
• CP –ConsumosdoProcesso.
A equação acima ainda se encontra
muito resumida e não esclarece o que
vem a ser consumos do processo. Isso
porque consumo do processo é diferen-
te de remuneraçãodos fatores da produ-
ção. Também é importante frisar que a
base para elaboração da DVA é a DRE.
Assim, uma fórmulamaisprecisaedeta-
lhada para apurar oVA seria a seguinte:
VAT= {[RB – (MC+ST) –D -A] +
(RF+EP+OR)}, onde:
• VAT –ValorAdicionadoTotal;
• RB –ReceitaBruta;
•MC –MateriaisConsumidos;
• ST –ServiçodeTerceiros;
•D–Depreciaçãodo Imobilizado;
•A–AmortizaçõesdoDiferido;
• RF –ReceitaFinanceira;
• EP –EquivalênciaPatrimonial;
• OR –OutrasReceitas.
Dessa maneira, a DVA irá mostrar
três níveis de adições: valor adicionado
bruto, valor adicionado líquido e rique-
zas não relacionadas à atividade.
OVAB (valor adicionado bruto) re-
presenta a adição primária da empresa,
oriundadaatividadeprodutiva.Logo,O
VAB será obtido da seguinte equação:
VAB=RB –MC –ST
A receitabruta (RB) seráocômputo
de todas as vendas brutas, ou seja, com
impostos. Por materiais consumidos
(MC) entende-se tão e somente o valor
dasmercadorias que foram consumidas
no processo. Estão excluídos, portanto,
todo e qualquer custo de mão-de-obra
(direta ou indireta). O custo por absor-
ção que é praticado emmuitas empre-
sasdevesofrerumamudança radical, as-
semelhando-seemmuitocoma idéiado
custeio direto ou atémesmo do concei-
to da contabilidade de ganhos
(
throughputaccounting
).Osserviçosde
terceiros (ST) serãoaquelesqueperten-
cem aopróprioprocessoprodutivo e que
não foram realizados internamente na
Tabela3–DemonstraçãodoValorAdicionado
Etapas
Pecuária
Curtume
Indústria
Receitagerada
5.000
8.000
12.000
Custodaprodução
5.000
5.000
8.000
Valorgerado
3.000
4.000
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t l;
–ReceitaBruta;
– ateriaisConsu idos;
–ServiçodeTerceiros;
–Depreciaçã do Imobilizado;
–AmortizaçõesdoDiferido;
–ReceitaFinanceira;
–EquivalênciaPatrimonial;
–OutrasReceitas.
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