Maio_2009 - page 94

R e v i s t a d a E S P M –
maio
/
junho
de
2009
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Crise
financeira ou de valores?
Pormaisquese tentecompararcrises,
elas são diferentes. Pois omomento,
as influências, os valores e interesses
mudamcomo tempo.Apiorésempre
aquelaqueagenteestávivendoagora,
a do momento presente. As que já
passaram já foramsuperadas,bemou
mal, e contribuíram para que pudés-
semos aprender. Se o problema não
temsolução, jáestásolucionado,não
adianta ficar se desgastando. Agora,
se tem, vamos arregaçar asmangas e
começar a fazer. Ficar sentado, recla-
mando da vida, das circunstâncias e
nada fazer, nãovaimudar nadames-
mo! Épreciso terCORAGEMeAGIR.
Vocêpoderá se sentir refém se imagi-
nar que nada pode fazer. Mas pode!
Todos nós podemos fazer alguma
coisa, por mínima que seja, para
contribuir. Renegociar contratos, seja
preçoouprazo,melhoraroambiente
de trabalho, sermaissolidário,propor
melhorias, sugestões e inovações,
encontrar alternativas, novas possibi-
lidades que em tempos de bonança
não sãocogitadas. Estar comamente
aberta para novas possibilidades e
alternativas será útil. Conversando
com colegas e profissionais de di-
versas áreas e segmentos, percebo
que há, sim, muitas possibilidades
surgindo. A necessidade é mãe da
criatividade. Perceber as mudanças
e adequar-se rapidamente é sinal de
maior adaptabilidade. Negociações
que antes pareciam pouco prováveis
de acontecer podem ser boas saídas
agora. Estamos falando de seleção
natural.VivaDarwin!
Pensomesmoquemuitos dos escân-
dalos que vemos e acompanhamos
pelasmultimídiassobreaquebradeira
geralnosEUA,de instituições“acima
dequalquer suspeita” sãoumaprova
dequehámalesquevêmparaobem.
Infelizmenteéprecisoquecatástrofes
aconteçam para quemudanças pos-
samocorrer.
Trata-se de uma crença pessoal, mas
elas são reforçadas pelos resultados
subsequentes.Novasregulamentações
enovas leissurgiramassim.Sóa título
deexemplo,oescandalosoproblema
daviolênciadomésticacontraasmu-
lheresbrasileiras resultouna leiMaria
da Penha, sancionada em 2006, e
isso só foi possível a partir da tragé-
dia pessoal de uma brasileira, vítima
de agressões. Esse é apenas um dos
exemplos,mashámuitos comoesse.
Se bem aproveitado, o momento
servirápara transformaremelhoraras
regras e relações pessoais, profissio-
nais, governamentais. Poderá servir
paraqueaspessoas, físicase jurídicas
repensem e se ajustem às novas de-
mandaseapelosdevários segmentos
sociais,sejamelesdesustentabilidade,
inovação, responsabilidade social,
transparência, ética e, quem sabe,
menos ganância.
A ganância, que é um sentimento
humanoedestrutivo,permearánossa
existênciaemmaioroumenorgrau,é
caracterizadapelavontadedepossuir
somenteparasiemdetrimentodoou-
tro. É certoque vivemos sob a égide
docapitalismoedeumconsumismo
exagerado que até pode favorecer
o desenvolvimento de pessoas ga-
nanciosas que querem sempremais.
Parecenãohaver limitesparaoquerer
e o possuir.Trata-se de uma sedução
emgrandeescala,poisodinheiroapa-
rentementepodecomprartudoetodos
e muito do que vemos nas mídias,
diariamente, nos faz crer que nãohá
mais salvação.Masnãoébemassim.
O que se apresenta numa visãomais
amplanãoéapenasumacrisefinancei-
ra,masumacrisedevalores. Osvalores
humanos e humanitários estão sendo
usadoscomoexcelentescampanhasde
marketingporalgumasinstituiçõesque,
por trásdessa fachada social epolitica-
mente correta, cometem todo tipo de
abuso,financeiro,principalmente.
Semdúvida, existempessoas bem
intencionadas e que levantam
bandeiras, defendem questões
sócio-humanitárias e fazem o
bem, senão não teríamos as con-
quistas acima mencionadas. Quero
acreditarqueessacrisefinanceiraede
valoresresulteemmudançaspositivas
para a sociedade, pois sentimos e
sentiremos todoso impactoeas con-
sequências dos acontecimentos. Para
alguns será umamarola, para outros
uma tsuname,masqueoprocessode
aprendizado, de autoconhecimento,
de readequaçãoedenovas condutas
sejampara todos. Valeapenapensar
noque disseGandhi “nunca perca a
fénahumanidade, pois elaécomoo
oceano. Só porque existem algumas
gotasdeáguasujanelenãoquerdizer
queeleesteja sujopor completo”.
Trabalho com pessoas há mais de
vinte anos e posso garantir que elas
são capazes de fazer coisas belas e
extraordinárias. Quando definem
seusobjetivos, investemsuasenergias
nessepropósitoeacreditamquecon-
seguirão e perseguem seus objetivos
obstinadamente.Aparalisiaacontece
diantedomedo.Omedo,portanto, é
omaior inimigo, não a crise. A crise
está foraeomedoestádentro.
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