Janeiro_2002 - page 66

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Revista daESPM –Março/Abril de 2002
Botafogo, invadindo a Zona Sul. A
grande rivalidadeclubísticadoRiode
Janeiro sempre esteve nas origens
de Botafogo e Flamengo. Ninguém
ignora isso. Estou falandodo tempo
da regata, quando o remo era o es-
porte da elite. Os remadores do
Botafogo davam uma surra nos re-
madoresdoFlamengoedepois iam
fazer “footing”naPraiadoFlamengo
–mostrarseusmúsculos, seduziras
mocinhas. Isso fez com que o
Flamengo reagisse, se transformas-
senum clubeeacabasse sendoum
clubede futebol poderoso.
JR –Aliás, ainda se chamaClube
deRegatasdoFlamengo.
AN – Como o Botafogo Futebol e
Regatas. Como oClube deRegatas
Vasco da Gama. Era o esporte pre-
dominantenoRiodeJaneiro.Eunão
tenho amenor dúvida de que a pai-
xãoclubística–voltandoà tese inicial
– é mais poderosa do que a paixão
pelaseleção.Emboraestejamosven-
do alguns fenômenos assustadores
no plano da paixão clubística, que é
essacoisados torcedoressealiarem
a grupos políticos e começar a exer-
cerumpapelpolíticonosestádios, in-
vestindocontraas torcidascontrárias
e fazendoum trabalhodepressãoso-
bre os jogadores. Recentemente, a
torcida invadiuasededoFluminense
para tomar satisfação. E osGaviões
da Fiel já tinham feito isso no
Corinthians.Acreditoque sejaum fe-
nômenonovo.FoioBebetodeFreitas
querevelou: todososclubesdestinam
2 a 3mil ingressos para as torcidas
organizadasque, por suavez, reven-
dem,naportadosestádios,os ingres-
sospara terceiros, fazendoopapelde
cambistasparaganhardinheiroàcus-
ta do clube. Isso é uma deformação
brutal doquedeveser o futebol.
JR – Nós vamos realizar uma
mesa-redonda, na ESPM, para
discutir o negócio do esporte.
Uma coisa que sempre me
perturbou, como profissional de
marketing e amante do esporte:
por que nós, brasileiros, não
somos capazes de fazer desse
futebol maravilhoso, um grande
negócio?Se temos essamatéria-
prima e esse produto tão
fantástico, por que somos tão
incompetentes para fazer disso
um sucesso comercial?
AN–Vejo issodeumamaneiramui-
to clara. Nós não nos preparamos
para ter o futebol-empresa que os
temposmodernosexigem.Parauma
empresa dar certo, ela tem que ter
objetivos muito claros; tem que ter
planos de viabilização e projetos; e
tem que ter competência para
administrá-la. Eu nem estou muito
preocupadocomasquestõeséticas.
Isso se tira de letra. O própriomer-
cado vai tratando de depurar.
JR – O que você está chamando
de “questão ética” é a desones-
tidadenaoperação comercial?
AN–Desonestidadedacartolagem,
de como a coisa se deteriorou, do
pontodevistamoral,porqueelessão
muito despreparados. De ummodo
geral, eles são absolutamente
inescrupulosos. Isso, eu não tenho
amenor dúvida. Eles vivemmonta-
dos em uma estrutura de poder
indestrutível,essacoisadeum
poder maior, sustentado
por capitanias here-
ditárias–quesão
as federações –
“Fuium
privilegiadopor
terficadoà
sombradessa
geração
maravilhosa,que
meensinouas
liçõesbásicasde
jornal.”
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