Revista ESPM Mai-Jun 2012 - NEM BABÁ, NEM BIG BROTHER a eterna luta do indivíduo contra o Estado - page 114

Revista da ESPM
|maio/junhode 2012
114
Ponto de vista
“Atirania
sinceramente
exercidapara o
bemdas vítimas
pode ser amais
opressiva. Aqueles
quenos atormentam,
para onosso
própriobem, irão
nos atormentar
semfim, porque
eles o fazemcoma
aprovaçãode suas
consciências”
C.S. Lewis
Dalton Pastore
Ricos, preconceituosos
e controladores
O
Brasil tem, já sabemos dis-
so, uma das cargas tributá-
rias mais altas do mundo.
Algo como 36% de tudo o que os 200
milhões debrasileiros produzempor
ano vai para o governo. E os brasi-
leiros produziram R$ 4,143 trilhões
no ano passado!
Resultado: dinheiro demais, go-
verno demais.
O melhor governo é aquele que
governa menos, porque permite que
seu povo se autodiscipline, já dizia o
terceiro presidente dos Estados Uni-
dos,ThomasJefferson,quecomandou
o país entre 1801 e 1809, e previa um
grande futuro para os americanos,
“se puderem evitar que o governo
desperdiceo resultadodo trabalhodo
povo, sob o pretexto de cuidar dele”.
O Estado brasileiro parte do princípio de que o povo é
incapaz de se cuidar. Ou pior: que, se tiver uma chance,
vai fazer a coisa errada. E, acreditando nisso, se sente
com o direito ou no dever de se meter em tudo e de
controlar tudo.
Então, aos brasileiros é negado, por exemplo, o direito
de decidir se queremou não escolher candidatos emuma
eleição, e o voto é obrigatório. O brasileiro tem de votar
sob as penas da lei e tem de guardar aquele papelzinho
– uma mancha humilhante em nossa democracia – pro-
vando estar em dia com sua obrigação eleitoral.
Assim também aos brasileiros é negado o conforto
de comprar um sorvete ou um refrigerante na farmácia,
porque o governo acredita que, idiotas como somos,
aproveitaríamos a ida à farmácia para tomar, quemsabe,
um anti-inflamatório.
O Estado acred ita que nos oferece um bom e
abundante serviço público de saúde, que nós somos
incapazes de nos medicar, mas que
entendemos um português bem bu-
rocrático e elaborado: “a persistirem
os sintomas, o médico deverá ser con-
sultado”. Nada de “se não melhorar, vê
se arranja um médico”.
Quando se trata do quesito “honesti-
dade”, no qual o Estado não é, digamos
assim, um exemplo esplendoroso, o
preconceito que os governantes têm a
nosso respeito não é muito melhor. E
tome burocracia em cima do brasilei-
ro, o tempo todo, para provar que está
fazendo a coisa certa; por exemplo, na
hora de vender umcarro, ou quando abre
ou fecha uma empresa.
E, entre todas as tiranias, como bem
dizia C.S. Lewis, “a tirania sinceramente
exercida para o bem das vítimas pode
ser a mais opressiva. Aqueles que nos
atormentam, para o nosso próprio bem, irão nos ator-
mentar sem fim, porque eles o fazem com a aprovação
de suas consciências”. Ou para se sentirem bem com
suas consciências, eu acrescentaria.
Este é o caso daquela elite iluminada, que se apre-
senta magnânima e se sente com o direito de decidir
pelos outros o que eles devem ler, ouvir, assistir e
consumir!
Somente a educação pode nos livrar do preconceito e
do castigo de nossos tutores. E educação, infelizmente,
custa caro e leva tempo. Mas já somos hoje mais edu-
cados do que éramos antes e continuamos avançando.
Embreve,maisbemeducados,seremosmaisrespeitados.
Dalton Pastore
Presidente da DPastore Comunicação e Editorial e do ForCom – Fórum
Permanente da Indústria da Comunicação
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