Maio_2009 - page 70

R e v i s t a d a E S P M –
maio
/
junho
de
2009
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Mudanças climáticas
emmomento crítico
em 20% e a produzir 20% de sua
energia total com fontes renováveis.
Apolíticados 20/20/20 foi umpasso
pioneiro. Mas a crise internacional
e os interesses nacionais divergentes
criaramalguns impassesmuito fortes.
Poderosos
lobbies
industriais resistem
em adotar asmedidas necessárias na
atual conjuntura. Ainda não é pos-
sível discernir se a União Europeia
será capaz de cumprir seus próprios
objetivos.Alémdisso, comopartede
sua estratégia, a Comissão europeia
sugeriu uma tarifa adicional sobre as
importações oriundas de países que
não participem dos esforços interna-
cionais para limitar as emissões de
gasesestufa.A iniciativaeuropeiacria
umprecedenteperigosoque, eventu-
almente, poderá abrir caminho para
queoutrospaíses imponham também
taxassobre importaçõescombaseem
consideraçõesambientais.Istopoderia
ter um efeito cascata, provocando
sérias controvérsias comerciais que
poderiam ser questionadasnaOMC.
JánosEstadosUnidos–que,sobGeor-
geBush, eramopaísquemais resistia
a qualquer disciplina internacional
na área demudanças climáticas – há
mudanças significativas com Barack
Obama. O atual governo já afirmou
estar bem ciente da gravidade da
situação climáticamundial e indicou
que prevê a adoção de uma taxa de
carbonoonerandoospoluidores. Sete
dias após a suaposse, opresidente já
anunciava a intençãodediminuir em
40%aemissãodegasesestufanasruas
até2020. Em27de janeiro, eleanun-
ciou a criação de limitesmais rígidos
paraaemissãodegasesdoefeitoestufa
pelosveículosdopaís.Amedidadará
18meses para que as montadoras se
adaptem às novas regras. A indústria
automobilísticadeveráproduzircarros
menos poluentes, cujo consumo dos
motores não supere 14,9quilômetros
por litro.Talmedidapode ser oponto
de partida para que as emissões de
gases do efeito estufa no país sejam
efetivamentecontroladaspelaAgência
de ProteçãoAmbiental (EPA), que era
impotentenogovernoBush.
Nopacotedecombateàcriseeconô-
micapropostoporObamaeaprovado
pelo Congresso foram incluídos US$
80 bilhões –mais de um décimo do
total–destinadosaaçõescomodesen-
volvimentode tecnologiasdegeração
deenergia renovável, implantaçãode
sistemas de captura e armazenamen-
to de carbono em usinas e fábricas
movidas a carvão mineral, aumento
da eficiência energética de prédios
públicos e residências, entre outras.
Apropostadeorçamentodo governo
federal, quechegaà soma recordede
US$ 3,6 trilhões, também lista ações
desse tipoentreos objetivos devários
órgãospúblicos,mas ainda semespe-
cificarvaloresparacadaumadelas.Há
portantomovimentonaquelequeerao
principalpaísdebloqueioaocombate
contraoaquecimentoglobal.
Na cúpula do Grupo dosVinte, rea­
lizada em Londres no mês de abril
passado, foi reafirmado,a respeitodas
questõesambientais,umcompromisso
de15mesesatrás,relativoàaprovação
de um novo tratado que substitua o
Protocolo de Kyoto, e anunciado o
compromissode“acelerara transição”
paraummodeloeconômicodebaixa
emissãodecarbono.
“Aomobilizar aseconomiasdomun-
dopara reagiremà recessão, estamos
decididos a... promover um cresci-
mento com baixo carbono e criar
empregos ‘verdes’,dosquaisdepende
a nossa prosperidade futura”, disse o
primeiro-ministro britânico, Gordon
Brown, na qualidade de anfitrião do
encontro. Acrescentou que “estamos
comprometidosa trabalhar juntospara
buscarumacordo sobreumapolítica
relativa às mudanças climáticas pós-
2012naconferênciadaONUemCo-
penhague, emdezembropróximo.”
Comentouumambientalistaque,em-
borasejaútilreiterarumcompromisso,
é preferível cumpri-lo. É inegável,
porém,queo resultadoda reuniãodo
G-20 foiumbomexemplodeunidade
dadopelosmaiorespaísesdomundo
quedesenvolveramumacompreensão
comum. Agora estamos caminhando
para a conferência de Copenhague,
em dezembro deste ano, da qual se
esperaquedêumpassodecisivopara
adotar um acordo sucessor de Kyoto
emais capaz de apresentar soluções
eficazes para a grave questão das
mudançasclimáticas.Oconceituado
jornalistaGideonRachman,principal
colunista sobre relações internacio-
nais do
Financial Times
, de Londres,
previu, em artigo intitulado “A bad
year for diplomats” (no suplemento
The World in
2009 publicado por
The Economist
), o fracasso damega-
cúpuladeCopenhageporque“vaiser,
provavelmente, impossívelvendernos
EstadosUnidosumacordo...queapre-
sentadificuldadespolíticase técnicas
assustadoras... especialmentecomos
sérios problemas deque a economia
americanapadeceatualmente”.
OBrasil temuma longaehonrosa tra-
diçãonasnegociações internacionais
sobremudançasclimáticas.Hospedou
a Conferência do Rio em 1992, na
qualfoiassinadaaConvençãoQuadro
dasNaçõesUnidassobreMudançado
Clima, foi o autor original doMeca-
1...,60,61,62,63,64,65,66,67,68,69 71,72,73,74,75,76,77,78,79,80,...136
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