Maio_2005 - page 62

Os
YesMen
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REV I STA DA ESPM–
S E T EMB RO
/
OU T UBRO
D E
2005
quinagensdospoderososrepublicanos
da era Nixon.
Esse fato, a proteção da fonte de
Watergate, sempre assustou os
poderosos pelo mundo inteiro. Em
1973, a Justiça americana não exi-
giu que Bob Woodward e Carl
Bernstein, os dois repórteres do caso
Watergate, revelassem quem era o
“Garganta Profunda”. Bem ao
contráriodehoje, e, em1973, a Jus-
tiça americanaos protegeu. Embora,
em plena era Nixon, os dois
repórtereseo jornal também tenham
sidodenunciados por quebra de leis
federais, sobre segurança nacional,
oquemudounosEstadosUnidos (um
país que é uma espécie de símbolo
da liberdade de imprensa) e no
mundo para que agora JudithMiller
passe suas tardes lavando uniformes
de “internos”emumaprisão federal?
É verdade que liberdade de expres-
são anda sob fogo cerrado pelo
mundo inteiro. E, não só porque 48
jornalistas foram assassinados no
exercício da profissão em 2004,
segundoaorganizaçãonãogoverna-
mental
Repórteres sem Fronteira
(
Valor Econômico
, 2005). Isso só
ocorre porque, como constatou a
revista
The Economist
, 43% da
população mundial (2,69 bilhões)
vivem empaíses emque a imprensa
“não é livre”. Outros 40% (2,51
bilhões) vivem com uma imprensa
“semi-livre”. Apenas 17% (1,08
bilhão) dos habitantes do planeta
podem ler,com toda liberdade,oque
quer (
The Economist
, 2005). Na
classificação da respeitada revista
inglesa, o Brasil está entre os países
emquea imprensaestá “semi-livre”.
Portanto, láecámás fadas há. É fato
quenão foi sóopoderoso Executivo
norte-americanoquepretendeupunir
o direito de livre expressão. Na
edição de 3 de agosto de 2005, a
revista
Veja
publicou váriasmatérias
contrárias ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Na semana seguinte
em que a revista circulou, um
advogado impetrouumaaçãopenal,
direto no Supremo Tribunal Federal
(STF), contraumcolunista, umeditor
e o presidente do Conselho de
Administração da
Veja
, acusando-os
de “colocar em risco o regime
democratico”, pedindo a condena-
ção dos denunciados por “crime de
subversão contra a segurança
nacional”. Como havia uma da-
quelas celebres tecnalidades
Bemaocontráriodehoje, e, em
1973, aJustiçaamericanaos
protegeu. Embora, emplenaera
Nixon, osdois repórtereseo jornal
também tenhamsidodenunciados
porquebrade leis federais, sobre
segurançanacional, oquemudou
nos EstadosUnidos enomundo?
DAPOPULAÇÃOMUNDIAL
(2,69BILHÕES)VIVEMEM
PAÍSESEMQUEA IMPRENSA
“NÃOÉLIVRE”.
43%
(2,51BILHÕES)VIVEMCOM
UMA IMPRENSA“SEMI-
LIVRE”.
40%
jurídicas em jogo, o ministro José
CelsodeMelloFilho, relator docaso
no STF, determinou o arquivamento
da ação por razões processuais
(deveria ter sido impetrada na
primeira instância da Justiça Federal
e não no Supremo) mas,
considerandoqueocasopoderiaabrir
um “perigoso precedente”, o
ministroMelloFilho julgou“oportuno
entrar no mérito” da discussão
formando jurisprudência que deve
servir de parâmetro no julgamento
de novas ações criminais, em casos
que envolvam liberdade de expres-
são, especialmente incluindo
jornalistas.
OministroMello Filho afirmou (em
1...,52,53,54,55,56,57,58,59,60,61 63,64,65,66,67,68,69,70,71,72,...111
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