RESPM-MAI_JUN-2015-alta
marketing Revista da ESPM |maio/junhode 2015 84 O rio Tietê, mesmo nestes tempos de pou- cas águas, continua nascendo no muni- cípio de Salesópolis, na Serra do Mar, a 1.120 metros de altitude. A Salesópolis do M&B (marketing e branding) — uma moeda de duas faces — é representada por um livro, lançado no dia 6 de novembro de 1954, de autoria de um austríaco doce e generoso, consultor de empresas e visionário. Mesmo tendo partido no dia 11 de novembro de 2005, Peter Drucker permanece presente em nossas vidas por meio de ensinamentos magníficos e inspirado- res, registrados em seus 42 livros, e infinitos artigos e lições, como a obra Prática de administração de empre- sas (Editora Thomson Pioneira, 1981). Neste livro, Drucker anuncia ao mundo que todas as empresas de todos os setores de atividades têm, exclusivamente, duas funções: “marketing e inovação. Marketing para conquistar e preservar clientes e ino- vação para sobreviver”. E a única forma de “sobreviver” é converter-se numa marca de qualidade na cabeça, no coração e no reconhecimento de seus stakeholders . Assim como o Padre Vieira pregou aos peixes, o mesmo aconteceu com o visionário Drucker, em 1954. E a culpa não foi dos “peixes” — empresas e empresários da época. A consciência e o entendimento de Drucker estavammuito à frente de seu tempo. De certa forma, o que aconteceu com Alfredo Mathias, um dos mais emblemáticos empreendedores da cidade de São Paulo, que lançou e construiu o Centro Empresarial, o Portal do Morumbi e o Shopping Iguatemi, no mínimo, dez anos antes, e fracassou em todos esses empreendimen- tos mais que consagrados tempos depois. Drucker tinha a receita e o discurso certos para um tempo que ainda não chegara. E, como nos ensinou Vic- tor Hugo, “nada mais poderoso do que uma ideia cujo tempo chegou” — discurso repetido à exaustão por Tom Peters. O tempo para as ideias de Drucker só chegaria décadas depois. Em verdade, em 1954, eram poucas as empresas, poucos os produtos, e a possibilidade de escolha dos consumidores era quase zero. As empresas reinavam. Muitas de forma tirânica, prepotente, truculenta. “Quer? Está aqui. Não quer? Então, saia da frente, porque existe uma longa fila de pessoas ansiosas para comprar os nossos produtos.” Amensagem soava quase como um “não encha o saco”. Foram necessários mais 40 anos para que as sementes da economia de mercado vin- gassem, crescessem, florescessem e prosperassem. Finalmente, em1994, seduzido e disputado por todos os lados e bolsos, cheques e cartões, começa a desper- tar um novo consumidor : nós, devidamente diplomados por 40 anos de compras malfeitas e dinheiro jogado fora. E isso só foi possível pela fragmentação e multi- plicação das categorias de produtos e serviços e pelo número expressivo e consistente de concorrentes em cada uma das categorias. Nesseexatomomento, timidamente,masde formagra- dativa, consistente e irreversível, o consumidor passivo ativa-se, “empodera-se”, e começaa caminhar emdireção ao palco. Assim, omarketing e o branding — as duas faces deumamesmamoeda—deixamdeserumapossibilidade, PeterDrucker tinhaodiscursocertoparaumtempoque aindanãochegara. E, comonosensinouVictorHugo, ”nada maispoderosodoqueuma ideiacujo tempochegou”. O tempoparaas ideiasdeDrucker sóchegariadécadasdepois latinstock
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